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-I- |
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A ilustração mostra a entrega das quintas de Matos, Cardoso e Amaral pela rainha viúva Dona Nunja Elvira Menendes de Bragança ao seu filho Ramiro Ordóñes. Direita: os mouros- vestidos de castanho- e os judeus- com um “Chaul” ou "Talit" para a oração ou capa de riscas- que habitavam nessas comarcas são testemunhas disso. No ano 915 D.C. aproximadamente. |
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Passado tempo, estas terras serviriam para que o seu filho mais novo -Ramiro Ordóñes-
pudesse viver sem problemas e sem afectar os territórios deixados aos seus irmãos
mais velhos, Sancho e Alfonso, coroados como Reis da
Galiza e
Leão. Mas o mais
importante era que não dependia nem dum nem doutro.
Assim
Ramiro Ordóñes, assumiu o poder como Senhor Feudal dum amplo território que
abrange todas as terras que hoje pertencem aos distritos de
Viseu e da
Guarda
gozando de total autonomia. Esta autonomia justifica o desejo de independência
que se viria a verificar da parte dos portugueses.
Viseu
e
Guarda tinham sido conquistadas aos mouros, uns anos antes, quando os
asturianos, galegos, e leoneses, os obrigaram a retirarem até Santarém onde
finalmente conseguiram ficar, fazendo uma fortaleza.
Alguns
dos habitantes mouros resolveram ficar mas tiveram que se submeter à humilhação
de serem baptizados na fé cristã para não perderem as suas terras. Também
aconteceu o mesmo a várias
“Kehilás” ou comunidades judias que tinham mantido com os mouros
relações comerciais quando estes ainda dominavam estes territórios.
Conversão forçada dos judeus e mouros de Viseu e Guarda
De
pouco lhes valeu o baptismo. Moros e Judeus foram concentrados em “Quintas“ cujo nome
deriva da divisão feita em cinco partes dos territórios conquistados para
serem repartidos pelas diferentes classes sociais: o Rei, os nobres, a igreja, o
exército e os populares.
Estas últimas eram depois organizadas em vilas e cidades.
Aliás os mouros e judeus eram obrigados a fazer os trabalhos mais pesados, como
tratar das vinhas e além disso, obrigavam-nos a comer carne de porco, e a
trabalhar ao sábado, o que era proibido tanto para muçulmanos como para os
judeus e terminantemente proibido no “Torá”
que era a lei que regia os seguidores de Moisés.
Tudo
isto era feito para os obrigar a demonstrar que efectivamente se tinham tornado
cristãos e que tinham abandonado as práticas das antigas religiões.
Apesar
disso, e sempre que o
judeísmo era herdado pelo lado materno, alguns elementos
das famílias
Matos,
Cardoso e
Amaral, retomaram a prática
do judeísmo e até agora professam a religião judaica. O resto das famílias,
que constitui a grande maioria, mostrou-se mais dócil em relação
à religião adoptada. Estes ‘cristãos
novos” por vezes defenderam-na a
todo o transe e constituíram famílias fundamentalistas da religião cristã.
Tenho
como exemplo, uma parte da minha própria família, a do meu avô paterno,
Dom
António M. Amaral que pertenceu à
Confraria dos Cavaleiros de Cólon na
cidade de Guadalajara, Jalisco, México por volta de 1930. |