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A ilustração mostra a entrega das quintas de Matos, Cardoso e Amaral pela rainha viúva Dona Nunja Elvira Menendes de Bragança ao seu filho Ramiro OrdóñesDireita: os mouros- vestidos de castanho- e os judeus- com um “Chaul” ou "Talit" para a oração ou capa de riscas- que habitavam nessas comarcas são testemunhas disso. No ano 915 D.C. aproximadamente.

o começo do ano 880 da nossa era, Dona Nunja Elvira Menendes de Bragança recebeu de seus Pais as Quintas de Matos, Cardoso e Amaral como dote do seu casamento com o Rei Ordoño II de Leão, e representando uma herança antecipada. Estas Quintas estavam situadas num local ainda não identificado, no território que corresponde hoje aos distritos de Viseu e Guarda no norte de Portugal.

         Passado tempo, estas terras serviriam para que o seu filho mais novo -Ramiro Ordóñes- pudesse viver sem problemas e sem afectar os territórios deixados aos seus irmãos mais velhos, Sancho e Alfonso, coroados como Reis da Galiza e Leão. Mas o mais importante era que não dependia nem dum nem doutro.

         Assim Ramiro Ordóñes, assumiu o poder como Senhor Feudal dum amplo território que abrange todas as terras que hoje pertencem aos distritos de Viseu e da Guarda gozando de total autonomia. Esta autonomia justifica o desejo de independência que se viria a verificar da parte dos portugueses.

        Viseu e Guarda tinham sido conquistadas aos mouros, uns anos antes, quando os asturianos, galegos, e leoneses, os obrigaram a retirarem até Santarém onde finalmente conseguiram ficar, fazendo uma fortaleza.

        Alguns dos habitantes mouros resolveram ficar mas tiveram que se submeter à humilhação de serem baptizados na fé cristã para não perderem as suas terras. Também aconteceu o mesmo a várias  Kehilás” ou comunidades judias que tinham mantido com os mouros relações comerciais quando estes ainda dominavam estes territórios.  

Conversão forçada dos judeus e mouros de Viseu e Guarda

        De pouco lhes valeu o baptismo. Moros e Judeus foram concentrados em “Quintas“ cujo nome deriva da divisão feita em cinco partes dos territórios conquistados para serem repartidos pelas diferentes classes sociais: o Rei, os nobres, a igreja, o exército e os populares.  Estas últimas eram depois organizadas em vilas e cidades.

        Aliás os mouros e judeus eram obrigados a fazer os trabalhos mais pesados, como tratar das vinhas e além disso, obrigavam-nos a comer carne de porco, e a trabalhar ao sábado, o que era proibido tanto para muçulmanos como para os judeus e terminantemente proibido no “Torá” que era a lei que regia os seguidores de Moisés.

        Tudo isto era feito para os obrigar a demonstrar que efectivamente se tinham tornado cristãos e que tinham abandonado as práticas das antigas religiões.

        Apesar disso, e sempre que o judeísmo era herdado pelo lado materno, alguns elementos das famílias Matos, Cardoso e Amaral, retomaram a prática do judeísmo e até agora professam a religião judaica. O resto das famílias, que constitui a grande maioria,  mostrou-se mais dócil em relação à religião adoptada. Estes ‘cristãos novos” por vezes defenderam-na a todo o transe e constituíram famílias fundamentalistas da religião cristã.

        Tenho como exemplo, uma parte da minha própria família, a do meu avô paterno, Dom António M. Amaral que pertenceu à Confraria dos Cavaleiros de Cólon na cidade de Guadalajara, Jalisco, México por volta de 1930.